Entrevista com Stefan Risthaus


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Como nasceu a ideia que levou à criação do “Monuments”?
Na minha viagem de núpcias estive em Creta e tive a oportunidade de visitar construções antigas, fantásticas no seu tempo. O tema sobre a construção de grandes monumentos que se tornam famosos e não desaparecem com o tempo pareceu-me fascinante. Às vezes, como em Cnossos, só conhecemos alguns monumentos porque os historiadores nos falam deles - a arqueologia começou com homens como Schliemann e Carter.

Onde é que vai buscar as ideias para os seus jogos? Começa pela mecânica ou pelo tema?
O tema é o princípio de tudo para mim. Contudo, às vezes, a mecânica desenvolvida para um tema torna-se mais apropriada ou adapta-se melhor a outro tema.

Em que tipo de mecânica prefere focar o processo de desenvolvimento dos seus jogos?
Gosto de desafiar jogadores com situações de informação parcial. É o que acontece em OSTIA, por um lado, conhecem-se muitas cartas da jogada actual nas mãos dos jogadores, mas, por outro, não se sabe o que eles irão fazer com elas. É muito interessante, para mim, este balanço entre a informação segura, a suposição e o jogo.

Quando é que se apercebeu que criar jogos era o seu sonho?
Foi em 1991, quando desenvolvi o meu jogo para um serão em família. Tive toda a certeza, quando algumas das minhas ideias de cenários para o Settler of Catan foram publicados no livro de KOSMOS/Klaus Teuber em 2000.

Que nível de sorte considera aceitável nos seus jogos?
Isso depende da duração e das regras do jogo. Quanto mais houver para decidir e influenciar o jogo com base numa estratégia, menor será o peso da sorte. Quanto mais vezes um jogo tiver de ser jogado, menor deverá ser o grau de sorte.

Em quantos jogos trabalha ao mesmo tempo? Trabalha em vários projectos em simultâneo ou dedica-se apenas a um único?
Às vezes trabalho em vários jogos ao mesmo tempo, mas apenas me concentro em um ou dois.
Os outros, mantenho-os para pensar enquanto conduzo.

Pode dizer alguma coisa sobre o projecto em que trabalha actualmente?
Não.

Com que frequência joga ou testa um jogo antes da publicação?
Depende da profundidade da estratégia, cerca de 30-80 vezes.

Qual o jogo que levou mais tempo a desenvolver e qual o que teve mais alterações?
OSTIA – numa sessão jogámos duas vezes, alterando as regras durante todas as jogadas, foi muito divertido. No caso do Monuments as principais regras ficaram prontas logo desde o início.
Contudo, o desenvolvimento dos detalhes é muito mais trabalhoso que ter a principal mecânica pronta.

Como se define a si próprio como criador de jogos?
Um profissional caloiro.

A sua família e amigos participam na sua aventura de criação de um novo jogo?
Claro que sim, pois são os meus jogadores de teste favoritos e porque se divertem a testar e discutir novas ideias.

O desenvolvimento de um jogo envolve várias fases – criação, edição, testes e publicação – qual é a que mais lhe agrada? Porquê?
A criação é o mais divertido para mim, pois dá-me liberdade de pensamento. Nada está errado, no sentido lato da palavra.

Joga apenas de vez em quando ou os jogos são parte integrante do seu quotidiano?
Os jogos fazem parte do meu quotidiano, apesar que não posso jogar todos os dias, pois há outras coisas importantes para fazer (a família é muito importante – tenho dois filhos pequenos).

Com que frequência joga os seus jogos depois de serem publicados? Prefere jogar os seus ou os jogos de outros criadores?
Pessoalmente, prefiro jogar jogos de outros criadores, mas também gosto de jogar os meus jogos quando me pedem.

Qual o jogo que mais gosta de jogar? Porquê?
Settlers continua a ser o favorito, porque a maioria das pessoas já o conhece e não é preciso perder muito tempo a explicar o jogo. É um jogo diferente de cada vez que se joga, devido às diferentes combinações de cenários e números.

Qual o seu jogo favorito? Qual o tipo de jogo que mais gosta?
Gosto dos jogos do tipo Civilization. Mas, como nem sempre se tem tempo para jogar esse género, gosto de jogos onde exista uma grande influência de decisões próprias e não ter que esperar que os dados gostem de nós. Não gosto de jogos do tipo outburst ou qualquer outro tipo de jogos de festas.

Que prefere: jogar ou criar jogos?
Ambos – é mais fácil jogar, mas mais divertido criar.

Acha que as vendas são o factor determinante para que um jogo seja bom ou não?
Não.

Segue, com especial atenção, algum criador de jogos?
Estou sempre atento aos jogos de Reiner Knizia, Michael Schacht e Klaus Teuber.

Será que os jogos de tabuleiro podem ser usados para fins educativos?
Definitivamente SIM – mas não se pode cair no erro de os criar com essa finalidade, mas sim para serem divertidos.

Como evoluíram os seus jogos nos últimos anos? Que aprendeu sobre o que se deve ou não fazer no processo de criação dum jogo?
A lição mais dura é conseguir redimensionar a ideia inicial para o mais importante, a mecânica: tudo o que não for absolutamente necessário ao jogo terá de ser eliminado, caso contrário, seria preciso um livro de 16 páginas, ou mais, para um jogo de 45 minutos.

Tem outro emprego, ou é um criador de jogos a tempo inteiro?
A minha profissão principal é a de advogado.

Que pensa da actual crise económica? Irá afectar a venda de jogos?
Afectará um pouco, mas não de forma séria. As pessoas que gostam de jogos, ou que os oferecem como presente, terão sempre algum dinheiro para isso.

Que conhece de Portugal? Já esteve em Portugal?
Infelizmente nunca estive lá, até agora. Sei que tem muito Sol, pois alguns amigos meus já foram para Portugal em férias. Vocês têm grandes jogadores de futebol.

Muito obrigado pela entrevista.
Obrigado pelo interesse.

Jogos do autor:
Atlantis: Szenarien & Varianten zu Die Siedler von Catan - 2005
Die Gilden von Ankh-Morpork -2008
Monuments: Wonders of Antiquity - 2008
Nebraska Trade 'em - 2008
Ostia - 2005
Rincewind and the Tourist - 2008
Die Siedler von Catan - Renaissance in der – 2007

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Site do AutorBoardGameGeek


A tradução desta entrevista teve o patrocínio de:



3 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns por mais uma boa entrevista.

Jorge

Paulo Santos disse...

Obrigado.

Indiana disse...

O homem não tinha cara de bons amigos, com as respostas tão secas... em inglês nota-se mais isso.

Mas gosto do Monuments!