As
cartas de açãoExistem sete "Ações" diferentes que um
jogador pode realizar. Isto é realizado através do uso da Carta de Ação
Aleatória ou Permanente apropriada. Cada ação tem regras especiais:
-Explorar – obter mais fichas de produção;
-Recolher – obter recursos;
-Construção – construir edifícios;
-Recrutar – recrutar criaturas para o exército;
-Negociar – trocar mercadorias com o banco;
-Próxima Era – avançar de Era e desbloquear
melhorias;
-Atacar – iniciar um ataque à civilização
adversária.
Fim do
jogo
O jogo termina IMEDIATAMENTE quando:
A Maravilha é construída por qualquer jogador, OU O
final do turno em que o último cubo de Ponto de Vitória +e removido do Banco e colocado.
Nota: Não se dá o "Apodrecimento" durante o último turno, se isto
acontecer. Quando um destes dois eventos ocorre, o jogo termina. Os pontos de
vitória nas cartas de vitória são atribuídos (vê abaixo) e os jogadores contam
os que obtiveram. Cada cubo de Ponto de Vitória vermelho vale 1 ponto. O
jogador com mais Pontos de
Vitória é o vencedor. Se dois ou mais jogadores
estão empatados para o maior número de pontos de vitória, aquele que tiver mais
cubos de recursos é o vencedor.
GERAL
Age of
Mythology – the Board Game é a adaptação do popular videojogo para o formato
“mesa”. Embora não seja o mais consagrado jogo de estratégia em tempo-real,
continua, até hoje, a ter uma grande fanbase, o que fez com que fosse gerado
interesse na sua reprodução para tabuleiro. Existem outros títulos que
receberam o mesmo tratamento, tal como Age of Empires e Civilization, que
provaram ser grandes adaptações. Com uma grande dose de objetividade, pois a versão
PC CD-Rom é um favorito que se joga até hoje, vamos descobrir o quão bem feita
foi esta transição.

APARÊNCIA
E COMPONENTES
É preciso respirar fundo após abrir esta caixa. Age
of Mythology – the Board Game é um misto de sentimentos no que diz respeito ao
seu aspeto. Para começar, o jogo não tem um tabuleiro “geral”, somente
tabuleiros individuais. Isto torna-se claro quando nos embrenhamos no jogo, mas
para quem gosta de um tabuleiro gigante, isto pode fazer a diferença. Em vez
disso, temos 6 tabuleiros individuais finos, onde a maior parte do trabalho vai
ser realizado. Estes estão divididos em três secções: armazenamento, produção e
cidade. Nenhum deles é candidato a um prémio de beleza. As ilustrações, não
diminuindo o trabalho dos artistas, não são muito cativantes. Fazem o que é
preciso é talvez a melhor forma de explicar. O jogo faz uso de cubos de
recursos coloridos, tal como qualquer outro. São práticos e funcionam. Age of
Mythology recorre a cartas para as ações do jogador (batalhas, exploração,
etc.) e o número delas é considerável. Podiam ser um pouco mais resistentes,
mas pelo menos não são dinheiro do Monopólio. Acompanhadas destas vêm as fichas
de construção e de exploração, que são tão banais que até mete dó. Para o preço
deste jogo, de certeza que falta aqui qualquer coisa. Claro! As figuras. Doses!
Resmas! Paletes de figuras! É fácil perceber onde a Eagle investiu na
construção, pois existem dezenas e dezenas de figuras de plástico com
considerável detalhe, prontas para entrar em batalha. Como seria de esperar,
estas figuras representam as classes de guerreiros e monstros que podemos
invocar para destruir as expetativas dos nossos adversários. Não nos vamos
queixar muito, pois este balanço entre bom e menos bom é justificável. Contudo,
para um jogo deste calibre, esperávamos algo mais “tchanan”. Agora, com tanto
componente, era de esperar que houvesse qualquer tipo de organização dentro da
caixa… vamos precisar de mais saquinhos…
TEMA
Monstros mitológicos? Heróis da Antiguidade?
Construção de uma civilização e talvez de uma maravilha? Poder comandar um
exército de bicharocos apenas para destruir a casa de um aldeão? Como não
podemos adorar este tema!? Claro que Age of Mythology não se resume apenas a
isto, mas o cerne do jogo é, na verdade, construir para destruir. Nesse aspeto,
reproduz fielmente aquilo que podemos encontrar no jogo de computador. O
conflito entre as várias civilizações e as míticas criaturas presentes fazem um
bom trabalho de imersão e estivesse presente um pouco mais de lore (por
exemplo, a explicar o que cada carta representa), não teríamos nada a apontar.
Recomenda-se ter a Wikipedia por perto, ou um amigo nerd (temos vários se
necessitarem).
JOGAR O
JOGO
Este é um daqueles jogos que é fácil de aprender e
difícil de dominar. Embora tenha uma série de opções de ação, não é caótico ao
ponto de precisarmos de um bloco de notas para sabermos o que podemos ou não
fazer. Em cada turno, os jogadores decidem para onde vai uma determinada
quantidade de pontos de vitória, o que significa que a condição de vitória
vai-se alterando ao longo do jogo. No seu turno, cada jogador escolhe de uma
série de cartas, variando o número conforme a Era em que este se encontra (se querem
mais cartas e melhores heróis, toca a evoluir). Estas cartas podem ser
“Permanentes” ou “Aleatórias” e cada uma delas representa uma ação (Colher,
Explorar, Combater, Construir, etc.). A estratégia de escolha de cartas fica ao
cargo do jogador. Se este for mais cauteloso, pode escolher mais permanentes,
enquanto que se quiser arriscar e obter mais vantagens (ou azares), pode
escolher mais aleatórias. Conforme a ação escolhida, o jogador vai ter a
oportunidade de construir edifícios (que trazem vantagens), colher recursos
(todos os jogadores colhem, independentemente do jogador que ativou) e atacar a
cidade ou produção adversária, entre outras ações. Sem dúvida que a construção,
produção e combate são os pontos mais significativos do jogo, pois são as ações
que fazem “coisas acontecer”. É necessário equilibrar a nossa produção com os
nossos gastos, mas tendo em conta que, no final do turno, alguns recursos vão
“apodrecer”. Ora, o melhor é investir esses recursos para trazer para o campo
de batalha uma figura mitológica capaz de passar a ferro os nossos adversários.
O sistema de batalha, embora pareça complexo, é bem mais simples que os típicos
jogos de Aventura e RPG. Quando entramos em batalha temos um número limitado de
unidades que podemos chamar. Escolhemos essas unidades e tiramos as cartas de
batalha correspondentes. Escolhemos o que queremos atacar e usamos uma das
unidades (escolhemos a carta, em segredo), que pode ter um encontro imediato
com outras das monstruosas figuras do nosso adversário. Quando isso acontece, a
força da nossa criatura corresponde ao número de dados que vamos lançar
(podendo ser aumentada, conforme o tipo de bicharoco). O jogador que lançar
mais (6) nos dados, vence o encontro. As batalhas continuam até que não haja
mais unidades ou o defensor se farte. Quando isso acontece, o atacante pode
destruir uma das fichas do tabuleiro adversário. Estas ações continuam até que
todos os pontos de vitória tenham sido colocados em jogo, ou até a Maravilha
ter sido construída. Embora pareça um monte de coisas à mistura e ofereça
imensas opções, o jogo não é confuso. A estratégia apruma-se pela prática e é
necessário perceber que uma decisão pode custar-nos caro. Avançar para a Era
seguinte pode deixar-nos vulneráveis e à espera da misericórdia alheia, ou
escolher cartas à sorte pode revelar-se fortuito e eliminarmos o exército
adversário rapidamente. É tudo uma questão de estratégia (parece que nisso
acertaram).
DIVERSÃO
E DIFICULDADE
Age of Mythology não é um jogo “cómico”, embora
atacar um Elefante de Guerra com uma Hydra possa parecer ridículo, por vezes.
Também não é um jogo sério, pois embora se foque imensamente na estratégia, por
vezes é possível encontrar um Homem-Escorpião que nos quer fazer parecer um
coador. É, na verdade, um jogo divertido e interessante, com suficiente
profundidade estratégica para nos fazer voltar e fácil o suficiente de começar
para não nos assustarmos com a quantidade de coisas que temos de fazer. É bem
mais acessível para novatos que muitos outros jogos de construção para
destruição.
VOLTAR A
JOGAR, PREÇO E DURAÇÃO
Bem, este é um jogo que vão querer jogar pelo menos
3 vezes, nem que seja para experimentarem as diferentes civilizações. Contudo,
temos quase a certeza que esse número vai ser bem maior, pois a quantidade de
diferentes combinações, estratégias e azares é tão grande que dificilmente
terão uma experiência igual à anterior. Com um tempo de jogo de 2 horas, talvez
não seja o melhor pick up and play, mas está longe de ser um jogo que se torna
aborrecido. Já o preço, esse pode fazer revirar os olhos um pouco. Para um jogo
até bastante dispendioso, os materiais, à exceção das figuras, deixam algo a
desejar. Entendemos a decisão de se focarem nessa componente, contudo.
CONCLUSÃO
AOM foi sem dúvida um jogo que esperamos
ansiosamente por jogar. É uma representação fiel do clássico de PC, que embora
não seja o jogo mais bonito, tem profundidade suficiente para nos fazer passar
por cima disso e voltar ao choque cultural vezes e vezes sem conta. Somos
suspeitos, como é claro, mas é com objetividade que dizemos que este é um jogo
bem catita.